“A Rio+20 que não queremos” – O Estado de São Paulo

 

O Estado de S.Paulo

O futuro que queremos não passa pelo documento que carrega este nome, resultante do processo de negociação da Rio+20.

O futuro que queremos tem compromisso e ação – e não só promessas. Tem a urgência necessária para reverter as crises social, ambiental e econômica e não postergação. Tem cooperação e sintonia com a sociedade e seus anseios – e não apenas as cômodas posições de governos.

Nada disso se encontra nos 283 parágrafos do documento oficial que deverá ser o legado desta conferência. O documento intitulado O Futuro que Queremos é fraco e está muito aquém do espírito e dos avanços conquistados nestes últimos 20 anos, desde a Rio-92. Está muito aquém, ainda, da importância e da urgência dos temas abordados, pois simplesmente lançar uma frágil e genérica agenda de futuras negociações não assegura resultados concretos.

A Rio+20 passará para a história como uma conferência da ONU que ofereceu à sociedade mundial um texto marcado por graves omissões que comprometem a preservação e a capacidade de recuperação socioambiental do planeta, bem como a garantia, às atuais e futuras gerações, de direitos humanos adquiridos.

Por tudo isso, registramos nossa profunda decepção com os chefes de Estado, pois foi sob suas ordens e orientações que trabalharam os negociadores – e esclarecemos que a sociedade civil não compactua nem subscreve esse documento.

Signatários:

Ashok Khosla, Bill McKibben, Brittany Trifold, Camilla Toulmin, Carlos Alberto Ricardo, Carlos Eduardo Young, Davi Kopenawa Yanomami, Fabio Feldmann, Ignacy Sachs, Jim Leape, José Eli da Veiga, José Goldemberg, Juan Carlos Jintiach, Kumi Naidoo, Luis Flores, Marcelo Furtado, Marina Silva, Mathis Wackernagel, Megaron Txucarramãe, Mohamed El-Ashry, Oded Grajew, Peter May, Raoni Metuktire, Ricardo Abramovay, Ricardo Young, Roberto Klabin, Sergio Mindlin, Severn Suzuki, Thomas Lovejoy, Vandana Shiva, William Rees e Yolanda Kakabadse.

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