“Paulistano dá nota 4,8 para a cidade e diz que gostaria de se mudar de SP” – Portal G1

 

Pesquisa do Movimento Nossa SP avalia qualidade de vida na capital.
Avaliação positiva do governo Kassab cai de 46% para 28%.

Bruno Azevedo do G1, em São Paulo

O índice de paulistanos que mudariam da cidade se tivessem oportunidade subiu de 46%, em 2008, para 57%, em 2009. Já a percentagem de entrevistados que disseram que não gostariam de sair de São Paulo caiu de 53% para 41% no mesmo período. Os dados fazem parte da pesquisa Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem), feita pelo Ibope Inteligência e encomendada pela ONG Movimento Nossa São Paulo. Os números foram divulgados nesta terça-feira (19).

Levando em conta a pesquisa, a organização não governamental considera que a população da maior cidade do país está insatisfeita com o bem-estar proporcionado pela metrópole. Numa escala de 1 a 10, a nota média para a qualidade de vida em São Paulo é de 4,8, abaixo da média de satisfação de 5,5.

A pesquisa mostrou também uma queda na avaliação da administração municipal. Na comparação com 2008, o número de pessoas que avaliavam o governo do prefeito Gilberto Kassab (DEM) como ótimo/bom despencou de 46% para 28%. Já os que avaliam como ruim ou péssimo mais que dobrou, passando de 12% para 26%. O G1 procurou a assessoria do prefeito Gilberto Kassab, que não tinha se pronunciado sobre o assunto até o começo desta tarde.

 

“Espero que esses dados façam a Prefeitura reavaliar o seu plano de metas, como a construção de centros culturais, de lazer e hospitais em algumas regiões", afirmou Oded Grajew, um dos idealizadores do Movimento Nossa São Paulo. Para Grajew, 2009 foi um ano "bastante ruim" para a Prefeitura, pois, dos 174 itens de qualidade de vida avaliados na pesquisa, só 39 tiveram notas acima da média. Além disso, ressalta ele, 57% dos paulistanos mudariam da cidade se pudessem. "Os números falam por si”, aifirmou.

A pesquisa, feita entre os dias 2 e 16 de dezembro, ouviu 1.512 pessoas com mais de 16 anos. Elas avaliaram quesitos que julgam importantes para sua qualidade de vida, como relações humanas, religião, trabalho, sexualidade, consumo, saúde, educação, lazer, habitação, meio ambiente, segurança, cultura, desigualdade social transporte e trânsito.

Instituições confiáveis

Dos entrevistados, 94% disseram confiar no Corpo de Bombeiros, que continua sendo a instituição mais confiável. A Câmara Municipal permaneceu em último lugar no ranking: 74% disseram confiar nos vereadores paulistanos.

Foi perguntado também quais instituições mais contribuem para a qualidade de vida da população paulistana. As igrejas receberam 17% das respostas.

Indicadores de qualidade de vida

Para selecionar os itens responsáveis pela qualidade de vida do paulistano, o Movimento Nossa São Paulo ouviu ao longo do ano passado 37 mil pessoas. Foram 174 itens que compuseram os 25 indicadores da pesquisa.

Segundo a ONG, os resultados mostram um maior nível de satisfação com aspectos relacionados à vida privada das pessoas e uma insatisfação com aspectos da vida em comum na cidade.

Os entrevistados deram notas de 1 a 10. Avaliações foram consideradas como total insatisfação (de 1 a 5), satisfação (6 a 8) e totalmente satisfeito (acima de 8). A média foi firmada em 5,5.

Cresceu também a sensação de insegurança da população. Apenas 12% dos entrevistados consideram São Paulo um lugar seguro ou muito seguro. Para 87%, a metrópole é insegura ou muito insegura. O medo de assaltos e roubos subiu de 57%, em 2008, para 65%, em 2009. Aumentou também o número de paulistanos que dizem ter medo de sair à noite, passando de 17% para 26%.

“Iremos acompanhar anualmente a satisfação do paulistano com os aspectos de sua qualidade de vida. O que se vê nesta primeira pesquisa é um baixo nível de satisfação, uma piora significativa da avaliação da administração municipal, além do aumento da desconfiança da Prefeitura e das subprefeituras. A pesquisa serve para subsidiar a gestão pública e a tomada decisões, além de servir como um instrumento de monitoração”, destacou Márcia Cavallare, diretora do Ibope Inteligência.

A temporada de chuvas e o aumento dos casos de enchentes na cidade em dezembro refletiu-se também nas respostas dos entrevistados que disseram ter medo de alagamentos, que passou de 6% em 2008 para 28% no ano passado.

Até mesmo aspectos da sexualidade do paulistano foram avaliados e receberam nota 5,4, mostrando insatisfação dos moradores da cidade. “O paulistano passa 2 horas e 45 minutos por dia no trânsito. Aí fica difícil… Esse tempo poderia ser usado de melhor forma”, brincou Oded Grajew.

 

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