“Mesmo em motor velho, diesel S50 baixa poluição” – O Estado de S.Paulo

 

Relatório do governo, de janeiro, aponta redução de 40% da emissão de material particulado

Cristina Amorim

Veículos velhos alimentados com diesel mais limpo, com menos enxofre, contribuem com a melhoria da qualidade do ar, indica um documento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Datado de 9 de janeiro deste ano, ele aponta a vantagem ambiental ao discorrer sobre a comercialização do diesel com 50 partes de enxofre por milhão (ppm), chamado de S50, nas regiões metropolitanas em 2009.

Segundo o texto, “testes realizados indicaram que o uso do mencionado diesel em motores antigos provoca redução de 40% em material particulado e de 10% a 15% em óxido de nitrogênio e monóxido de carbono”. Os três itens são poluentes que saem pelo escapamento dos ônibus, caminhões e utilitários abastecidos com diesel e que levam ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

O documento responde a um pedido de informação do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP). Ele também informa que o benefício ambiental depende de os veículos estarem devidamente regulados, com manutenção adequada.

Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a 315, de 2002, determina que o diesel S50 substitua os tipos mais poluentes, com 500 ppm e 2.000 ppm de enxofre, em 1º de janeiro. Porém, o texto não deixa claro se a quantidade a ser disponibilizada deve ser suficiente para abastecer veículos novos e antigos ou apenas os veículos novos.

O Ministério Público Federal, secretarias de Meio Ambiente de São Paulo (estadual e municipal) e de Minas Gerais, organizações civis e médicos afirmam que a primeira interpretação deveria ser a válida, ao alegar menor impacto à saúde da população ao incluir veículos antigos na conta. A Petrobrás prefere a segunda interpretação – que foi referendada pela Justiça no mês passado.

Segundo o secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, o valor exato do ganho ambiental é discutido, ainda que não contestado. “A Petrobrás fala em 10%, outras fontes falam em 40%. Mas mesmo 10% seria maravilhoso”, afirma. “A simples regulagem, pelas inspeções veiculares, forneceria um ganho de mais de 10%. Com o S50, então, somariam-se dois benefícios.”

SEM PROBLEMAS

Em ofício datado de 22 de agosto, em resposta a uma solicitação da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) diz que não há problemas técnicos em colocar diesel mais limpo em motores preparados para receber diesel mais sujo. O que falta é colocar o combustível no mercado.

“Até onde a Anfavea tem conhecimento, os veículos pesados e motores hoje produzidos por suas associadas já são compatíveis com esse novo combustível (S50). Portanto, tão logo seja disponibilizado o fornecimento desde diesel S50 no município de São Paulo, não haverá impedimento algum a que os referidos veículos pesados e motores sejam abastecidos com o novo combustível.”

Ao Estado, a Anfavea, por meio de sua assessoria de imprensa, reiterou a informação. Segundo a associação, o que não é possível é abastecer veículos novos, preparados para receber o S50, com o diesel sujo atualmente utilizado no País.

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