Sem faxineiros em escola de SP, alunos fazem a limpeza

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

Funcionários foram dispensados; reposição está prevista para este mês

Maria Rehder

A falta de funcionários de limpeza em escolas estaduais de São Paulo tem feito até alunos colocarem a mão na massa para limpar a sujeira acumulada. A reportagem visitou cinco colégios na capital e em São Bernardo do Campo que estão com quadro reduzido nas chamadas equipes de apoio – que incluem agentes de limpeza e inspetores de alunos. Todas apresentaram problemas, como alunos varrendo as salas, banheiros sujos, falta de inspetores e classes com lixo acumulado.

De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, cerca de 18 mil agentes de organização escolar (número que inclui faxineiros) devem iniciar as atividades ainda neste mês nas escolas. Esses funcionários vão entrar no lugar dos que ocupavam essas funções antes e foram dispensados, seguindo uma decisão do Ministério Público do Trabalho.

A pasta, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que é totalmente contrária a alunos auxiliarem em qualquer tipo de limpeza em escolas e que irá averiguar. Os responsáveis, após a apuração, podem responder a processo administrativo, resultando até em exoneração.

Uma das unidades visitadas é a Escola Estadual São Pedro, que fica em Ferrazópolis, periferia de São Bernardo do Campo. Na última quarta-feira, a reportagem presenciou alunos varrendo o chão do refeitório. A sujeira das classes fez outros estudantes se oferecerem para fazer a limpeza voluntária.

Uma das alunas do segundo ano do ensino médio foi uma das que se ofereceram. “Estava na sala quando duas colegas começaram a fazer a limpeza porque a sala estava imunda. Logo decidi ajudar.Teve professor que até falou que daria pontos para os que ajudassem a manter a sala limpa”, afirmou.

No colégio, quatro funcionárias limpam – nos três períodos – as 18 salas, quatro banheiros, pátio, refeitório e outros ambientes. O professor de história Fernando de Souza, 54 anos – também conselheiro da Apeoesp (sindicato dos professores) – explica que a limpeza piorou nos últimos meses na escola. “A comunidade está fazendo um abaixo-assinado pedindo mais funcionários”, diz.

Perto dali, na Escola Estadual Luiza Collaço, também em São Bernardo, o problema se repete. Além dos banheiros malcheirosos, as salas de aula acumulam papéis pelos cantos e carteiras estão sucateadas.

O colégio tem apenas duas funcionárias responsáveis por fazer, nos três períodos, a limpeza. “Além da demora do envio dos concursados, acho lamentável a escola ter de dispensar o inspetor de alunos e serventes com mais de dez anos de casa”, afirma Sidnei dos Santos, coordenador pedagógico e também representante da Apeoesp.

Os aprovados no concurso ocuparão o cargo por apenas um ano. Posteriormente, a secretaria pretende terceirizar esse tipo de serviço nas escolas.

ZONA LESTE

Na Escola Estadual Pedro Taques, em Guaianases, as salas de aula não têm lixeiras e a sujeira fica acumulada. Há alunos que não têm coragem de usar o banheiro da escola. Segundo um professor – que prefere não se identificar -, a escola tem apenas dois funcionários responsáveis pela limpeza. “Teve um grupo pequeno de alunos que chegou a ajudar na limpeza aos sábados”, disse uma das alunas.

Em São Mateus, na Escola Estadual Fadlo Haidar, a situação é a mesma. “Temos apenas duas pessoas para limpar. Não são todos, mas há professores que contam com a colaboração dos alunos para a limpeza das salas”, diz um funcionário.

A secretaria estadual informou que as diretorias das cinco escolas negam que alunos participem da limpeza, mas diz que, em breve, serão vistoriadas.

            
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