Haddad veta lei e o rodízio de carros continua em SP

Por jornal O Estado de S. Paulo

O rodízio de carros vai continuar em São Paulo. Como era previsto, o prefeito Fernando Haddad (PT) vetou integralmente o projeto de lei de autoria do vereador Adilson Amadeu (PTB), aprovado de surpresa em sessão da Câmara ocorrida na última quarta-feira (28), que pretendia acabar com a restrição de circulação de veículos na cidade.

O veto foi publicado no Diário Oficial da Cidade de ontem (31/5). Nas justificativas para o veto, o prefeito argumentou que o rodízio, em vigor desde 1997, "tem se mostrado relevante para a redução do trânsito" no Município e "qualquer modificação em seus escopo ou a própria revogação da lei (…) devem necessariamente estar respaldadas por estudos técnicos e associadas a outras políticas públicas". Haddad ainda frisou que "por se tratar de medida que afeta diretamente vasta parcela dos paulistanos", uma eventual extinção do rodízio "deve ser precedida de amplo debate com a sociedade e estar aliada a outras ações que assegurem a adequada mobilidade de seus cidadãos".

Votação

O polêmico projeto de lei que pretendia extinguir o rodízio municipal de veículosfoi aprovado em votação simbólica – que durou menos de 50 segundos . O projeto, de 2006, é de autoria do vereador e despachante Adilson Amadeu (PTB). "São Paulo tem 7,3 milhões de veículos, dos quais 2,3 milhões não pagam nada. O governo tem de tirar esse montante da rua, que é o fluxo excluído pela restrição todos os dias", argumentou o parlamentar. A proposta estava parada no Legislativo e fora de pauta havia sete anos. O vereador exigia que o texto fosse submetido à votação – caso contrário, ameaçava obstruir a pauta de votação.

Os vereadores contrários à aprovação da lei mal conseguiram registrar seus votos, pelo sistema de votação adotado. Na votação simbólica, feita após acordo das lideranças para aprovar de uma vez só um pacote de projetos, mesmo a posição contrária não soma votos. Se fosse uma votação nominal, com a soma dos votos contrários das bancadas do PSD, do PSDB e do PT (ao todo as três siglas somam 27 dos 55 parlamentares), a proposta teria sido rejeitada e seria arquivada.

Matéria publicada originalmente no jornal O Estado de S. Paulo.

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