Mesmo na pandemia, 26% da população paulistana gasta mais de 2 horas em deslocamentos

Pesquisa também mostra que 69% das pessoas que usam carro deixariam de usá-lo caso houvesse uma boa alternativa de transporte público

A pesquisa “Viver em São Paulo: Mobilidade Urbana”, realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope Inteligência, traz dados sobre o deslocamento na cidade e o impacto da pandemia no dia a dia da população paulistana.

O levantamento revela que houve uma redução no tempo de deslocamento entre as pessoas que usam carro, além do aumento da proporção de paulistanas e paulistanos que estão sem sair de casa para realizar atividades cotidianas.

Veja abaixo alguns dos resultados.

Deslocamento

Segundo a pesquisa, o tempo médio diário de deslocamento para realização da atividade principal cai 10 minutos em relação a 2019 e atinge 1h37min. As pessoas que usam carro todos os dias ou quase todos os dias gastam em média 1h29 no deslocamento, 6 minutos a menos do que em 2019. Já as pessoas que usam transporte público todos os dias ou quase todos os dias gastam em média 1h56, 2 minutos a mais do que em 2019.

Ao considerar todos os deslocamentos, o tempo médio gasto diminui 14 minutos em comparação ao ano passado. Entre as pessoas que usam carro todos ou dias ou quase todos os dias, esse tempo é de 2h06, 27 minutos a menos do que em 2019. Porém, entre as pessoas que usam transporte coletivo público todos os dias ou quase todos os dias o tempo médio é de 2h31, 4 minutos a mais do que em 2019.

A pesquisa revela, também, que 35% da população paulistana não está saindo de casa para a sua atividade principal – em 2019, esse número era 18%. Os dados mostram que esta proporção cresce quanto maior a renda e a escolaridade, chegando a 52% na faixa de renda familiar acima de cinco salários mínimos.

O ônibus municipal ainda é o principal meio de transporte da população paulistana, entretanto, caiu consideravelmente o número de pessoas que usam durante a pandemia, 35%. Em 2019, o ônibus era o principal meio de transporte de 47% das pessoas entrevistadas. Já o deslocamento a pé chegou a 15%, em 2019 era 6%; e 25% mencionam o carro como principal meio de transporte – em 2019, era 20%.

Ônibus

Em relação ao tempo de espera entre as pessoas que usam ônibus municipal, observa-se recuo no tempo de espera de 5 a 15 minutos (34%) e aumento das menções entre 30 e 45 minutos (17%; em 2019, 10%). Apenas 2% afirmam esperar menos de 5 minutos; 36% mais de 15 a 30 minutos; 5% mais de 45 a 60 minutos; e 3% mais de 60 minutos.

A percepção de aumento do tempo de espera pelos ônibus cresce e é a maior registrada na série histórica da pesquisa. 53% afirmam que o tempo de espera aumentou (12% a mais do que em 2019); 33% afirmam que está igual; e 8% que diminuiu. Quem mais cita que o tempo de espera pelos ônibus aumentou são pessoas da classe D/E (64%); renda familiar mensal de até 2 salários mínimos (60%); pretos(as) e pardos(as) (60%); de 16 a 24 anos (58%).

Para 23% das pessoas entrevistadas, lotação é o principal problema a ser resolvido em relação aos ônibus municipais. Para 13% é o preço da tarifa; para 11% é a frequência dos ônibus; para 8% é limitar a ocupação de pessoas no transporte público; e para outros 8% é a limpeza e higienização dos ônibus com maior frequência.

Medo de pegar coronavírus e ônibus muito cheios são os motivos mais importantes para escolha de outros meios de transporte ao invés dos ônibus municipais para cerca de um terço da população paulistana – ambos com 35% do total das menções. A utilização de carro é mencionada como motivo para não utilização de ônibus por 22%; a tarifa de ônibus é muito cara tem 24% do total das menções; assim como a demora de ônibus para passar também com 24% do total das menções.

A principal preocupação em relação à mobilidade na cidade de São Paulo pós pandemia é a superlotação do transporte coletivo (30%), seguida de aumento da tarifa do transporte público (17%), e congestionamentos 13%.

Automóvel

A pesquisa revela que a utilização do carro em São Paulo está menos frequente. 13% afirmam usar todos os dias, 15% quase todos os dias, 37% de vez em quando e 22% raramente. Ainda, 13% afirmam não utilizar carro para se locomover.

A posse de carro de passeio também caiu, 46% das paulistanas e paulistanos têm carro – em 2019, 2018 e 2017 esse número era de 56%. Ademais, a maioria das pessoas que usam carro afirmam que deixariam de usar caso houvesse uma boa alternativa de transporte público – 39% com certeza deixariam de usar; 30% provavelmente deixariam; 8% dificilmente deixariam; e 18% não deixariam.

Contudo, cresce pelo segundo ano consecutivo a proporção de usuárias e usuários de automóvel que aumentaram a frequência de uso do carro, comparando com o uso que faziam há um ano na cidade de São Paulo. Declaram usar com maior frequência 34% (em 2019, 28% e em 2018 21%); com frequência igual 32%; e com menor frequência 33%.

A pandemia é o principal motivo para terem aumentado a frequência de uso atualmente, em comparação aos que usavam há um ano. Entre as pessoas que usam com maior frequência, 39% afirmam ser por conta da pandemia e 20% por conta da lotação do transporte público.

Do mesmo modo, a pandemia também é o principal motivador da diminuição do uso do carro, no caso das pessoas que têm carro e que não estão saindo de casa por contaa do isolamento. Entre as pessoas que usam com menor frequência, 65% afirmam ser por não estarem saindo de casa.

Entre as pessoas que não usam transporte público atualmente, melhorias na ventilação (para diminuir o risco de contágio de coronavírus ) e das condições físicas do transporte são os motivos mais citados para que se tornassem usuárias(os) – 36% citam melhorar a ventilação dentro dos ônibus, trem e metrô para diminuir o risco de contágio do coronavírus; 33% melhoria nas condições físicas do transporte público coletivo/ mais conforto; 29% higienização constante dos ônibus, trens e metrôs para prevenir a disseminação de coronavírus; 27% menores intervalos entre ônibus, trens e metrôs para diminuir a lotação e o risco de contágio do coronavírus.

Bicicleta

Mais segurança para ciclistas faria com que um terço das pessoas que não usam bicicleta começassem a usar para circular em São Paulo (32%). Construir mais ciclovias para interligar as diferentes regiões da cidade é mencionado por 18%; mais sinalização nas ruas por 17%; e se existissem menos subidas, ladeiras, morros, se a cidade fosse mais plana por outros 17%.

Mobilidade urbana e políticas públicas

Assédio

Mais da metade dos paulistanos consideram ruim ou péssima a atuação do município e do estado no combate ao assédio sexual no transporte público (56%). 26% consideram regular e 14% ótima ou boa.

Mudanças

86% das pessoas entrevistadas são a favor da aplicação de multa para veículos que param em cima da faixa de pedestres ou em cima das calçadas. 88% são a favor da construção e ampliação de corredores e faixas exclusivas de ônibus; assim como 81% são a favor da construção e ampliação das ciclovias ciclofaixas.

58% são a favor da substituição de vagas para veículos particulares por áreas de uso público; 56% a favor da redução das velocidades praticadas nas ruas e avenidas da cidade; e 43% a favor da aplicação de multas em pedestres.

Segurança

Prevalece a sensação de insegurança entre as pessoas quando circulam pela cidade como pedestre. 35% consideram nada seguro; 52% pouco seguro; 11% seguro; e apenas 3% muito seguro.

Tarifa

Maioria relativa acredita que os recursos para compor a tarifa da passagem do transporte público em São Paulo devem vir de impostos e outras fontes que a prefeitura arrecada junto a cidadãs e cidadãos e empresas, sem cobrança de passagem de usuárias e usuários (39%).

Já 30% defende que venha de impostos e do valor da passagem, assim a prefeitura deve continuar direcionando parte da arrecadação ao pagamento às empresas de transporte; enquanto 22% acreditam que os recursos devem vir somente do valor da passagem, apenas usuárias e usuários pagam pelo transporte.

Metodologia

Foram realizadas 800 entrevistas com pessoas que moram na cidade de São Paulo, com 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 21 de setembro de 2020, a partir de coletas face a face e online. Os resultados foram ponderados para reestabelecer os pesos de cada região da cidade e o perfil dos correspondentes. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados totais

Saiba mais:

Confira a pesquisa “Viver em São Paulo: Mobilidade Urbana” completa

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