A melhor forma de combater a pandemia é votar

Não adiantará lamentar depois, se não usarmos o voto como ferramenta de transformação

O voto, como um direito de escolher quem vai governar nossas cidades nos próximos anos, é das mais importantes manifestações de cidadania, comparável somente à permanente participação social. Depois das eleições nos EUA é chegada a hora das eleições municipais no Brasil, no próximo domingo (15). Um dos aprendizados da experiência norte-americana foi que a população compreendeu a importância de votar e compareceu em número recorde às urnas. Os dois candidatos, Biden e Trump, tiveram uma votação jamais vista na história e isso fortalece a democracia, independentemente do resultado.

Nos meses que antecederam a eleição, esportistas, artistas, veículos de comunicação e organizações da sociedade civil se engajaram na campanha para estimular o voto. A política atravessa nossas vidas, mesmo que algumas pessoas insistam em refutá-la.

É muito importante perceber que lidamos com a política no cotidiano: do transporte ao fornecimento de água; da iluminação aos resíduos; do preço do arroz à passagem de ônibus; da segurança à qualidade da saúde e educação. Tudo respira política. Por isso, não adiantará lamentar depois, se não usarmos o voto como ferramenta de transformação.

Vale lembrar que não existem “santos” na política (como não existem na vida) e que o desafio de todos nós é buscar os que têm as propostas que mais se aproximam do que entendemos ser importante para a sociedade. Nas últimas eleições, milhões de pessoas se abstiveram ou votaram em branco, superando os votos do candidato vencedor. Não nos iludamos, pois, todos —mesmo os que se abstêm ou votam em branco— somos responsáveis pelo resultado das urnas.

O momento exige participação, tanto lá como cá. Todos os motivos que levaram a este recorde de comparecimento nos EUA estão presentes no Brasil. A irresponsabilidade do Governo Federal no trato da pandemia que faz com que os EUA e o Brasil sejam, lamentável e desnecessariamente, os dois países com mais mortes pela Covid-19.

A crise econômica que estrangula empresas e gera um aumento do desemprego. O negacionismo a ciência e a desinformação como métodos de atuação. As queimadas no Pantanal e na Amazônia. E a violência contra a população negra, que mobilizou milhões de pessoas pelo mundo e está presente, ainda com mais força, no Brasil.

Temos todos os motivos, portanto, para depositar nosso voto neste domingo. A simples participação e o exercício de escolha são atos de extrema importância para o país. As bases de uma transformação nas cidades, em um primeiro momento, e no país, a seguir, serão definidas nas eleições municipais. É oportunidade de expressar desejos de mudança (ou continuidade, se for o caso) e de avaliar as políticas públicas por parte daquele que é soberano na democracia: o povo.

Neste momento de pandemia, um grupo de organizações da sociedade civil, com mais de 50 entidades apoiadoras, lançou a Campanha Eleições Seguras: democracia é atividade essencial. Esse movimento de defesa das eleições em 2020 reivindicou, com sucesso, que as alterações constitucionais para a realização dos pleitos (primeiro e segundo turnos) em data excepcional se limitassem a um deslocamento no calendário, sem quaisquer mudanças na duração dos mandatos atuais.

Além disso, reiterou o compromisso da sociedade civil com a segurança sanitária durante o processo, desde a fase de pré-campanha até o momento do voto, corroborando os protocolos adotados pelo TSE. Assim, exerçamos a cidadania neste próximo domingo de maneira segura: com protocolos sanitários, caneta, máscara e álcool em gel.

O voto é a forma não violenta de mudar a sociedade. Todos teremos a chance de manifestar nossa opinião neste domingo. Não abra mão deste direito. Vote!

Jorge Abrahão
Coordenador geral do Instituto Cidades Sustentáveis, organização realizadora da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis

*Conteúdo publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo

Compartilhe este artigo