Morre aos 86 anos o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim

 
 
O arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, um dos fundadores da Rede Nossa São Paulo e integrante de seu Colegiado de Apoio, faleceu na manhã desta sexta-feira (14) em São Paulo, aos 86 anos. Ele estava internado havia um mês, depois de sofrer um acidente de trânsito.
 
Toda a equipe da Rede Nossa São Paulo lamenta profundamente a perda deste importante parceiro, que sempre contribuiu com suas ideias e propostas para a construção de uma cidade mais justa e sustentável, e se solidariza com familiares e amigos.
 
Italiano nascido em 1928, tendo chegado no Brasil aos 12 anos de idade, Jorge Wilheim foi um dos principais urbanistas brasileiros com atuação política, sendo reconhecido por trabalhos como a reurbanização do Vale do Anhangabaú e do Pátio do Colégio (local de fundação de São Paulo), projetos do Parque Anhembi, mais de 20 planos urbanos incluindo o de Curitiba e da Cidade Industrial de Londrina e o Plano Diretor Estratégico que vigora em São Paulo de 2002 até hoje.
 
Histórico 
 
Jorge Wilheim ingressou na vida política como secretário estadual de Economia e Planejamento, na gestão Paulo Egydio Martins (1975), e de 1983 a 1986, no governo Mário Covas, foi titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla). Coordenou a elaboração do Plano Diretor de São Paulo de 1984 (não efetivado).
Em 1981, venceu, em co-autoria com Rosa Grena Kliass, o concurso para a reurbanização do Vale do Anhangabaú, construído e inaugurado dez anos mais tarde.
 
Em 1985, auxiliado por Jonas Birger, projetou o Centro de Diagnósticos do Hospital Albert Einstein. No mesmo ano, tornou-se presidente da Fundação Bienal de São Paulo. No governo Orestes Quércia, de 1987 a 1991, foi nomeado secretário estadual do Meio Ambiente.
 
Na administração seguinte, de Luiz Antônio Fleury Filho, entre 1991 e 1994, ocupou a presidência da Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo (Emplasa) e, em 1994, a convite da Organização das Nações Unidas (ONU), mudou-se para Nairóbi, no Quênia, para assumir o cargo de secretário-geral adjunto da Conferência Mundial Habitat 2, realizada em 1996, em Istambul, Turquia.
 
De volta ao Brasil, retomou projetos de planos diretores para cidades como Campos do Jordão e São Paulo, em 2000, e Araxá (MG), em 2002, além de realizar o projeto da cidade industrial de Londrina (PR) em 1997.
 
Retornou à vida pública na administração da prefeita Marta Suplicy, entre 2001 a 2004, novamente como secretário da Sempla. Na ocasião, coordenou a elaboração do Plano Diretor Estratégico de 2002, que vigora até hoje na cidade de São Paulo. Nesse período, publicou o livro “Tênue Esperança no Vasto Caos: Questões do Proto-Renascimento do Século XXI”, em que procurou sistematizar sua experiência no campo do urbanismo, lançando perspectivas para o futuro das cidades.
 
Também é autor de oito livros sobre urbanismo, desenvolvimento e vida urbana, entre os quais "FAX - Mensagens de um Futuro Próximo", também traduzido para o inglês.

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