Encontro levanta boas ideias para gerenciamento de resíduos sólidos

 
 

Iniciativas integrarão documento que será oferecido aos prefeitos signatários do Programa Cidades Sustentáveis, visando à implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos nos municípios

Práticas bem-sucedidas de gerenciamento de resíduos sólidos no País foram elencadas durante o segundo encontro sobre o tema. As boas ideias irão ajudar a compor um documento que será disponibilizado aos municípios brasileiros que precisam começar a colocar em prática a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010.

Foto: Luciana Quierati

Estudar iniciativas exemplares na gestão de resíduos, com inclusão social, foi um dos objetivos do evento promovido pela Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis e Rede Nossa São Paulo, na última sexta-feira (22/2), em São Paulo.

Tendo como referência o Programa Cidades Sustentáveis, o encontro foi realizado na Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas – uma das organizações parceiras do projeto.

As discussões tiveram como ponto de partida a lista de dificuldades e problemas levantada no primeiro evento sobre o tema, ocorrido em 21 de janeiro. Representantes da sociedade civil, acadêmicos, técnicos e integrantes de movimentos nacionais de catadores participaram das duas jornadas de trabalhos.

“Temos ideais e utopias, mas temos também uma realidade hoje. É preciso olhar para o que já está dando certo e tentar entender quais são os critérios, para que isso sirva de exemplo”, desafiou o pesquisador do Programa Cidades Sustentáveis e mediador do encontro, Ariel Kogan.

Foto: Luciana Quierati

O debate foi permeado pela reflexão: quais as ações e resultados que fazem dessa iniciativa uma boa prática, tendo como referencial a educação e a cultura para a sustentabilidade, o planejamento, os indicadores, as metas, o orçamento, e a inclusão do catador e sua remuneração.

A experiência de Tibagi, cidade paranaense distante 225 km de Curitiba, é um exemplo do que será compartilhado com os demais municípios no documento em elaboração. Naquele município, os catadores foram retirados do lixão e tiveram o suporte da prefeitura para a criação de uma associação. Eles recebem formação contínua, fazem a triagem e a comercialização dos materiais recicláveis e, ainda, trabalham com compostagem e jardinagem, o que inclui a produção de flores.

A boa prática em Tibagi envolve também uma ação educacional junto às escolas e famílias. Os alunos da rede pública de ensino, por exemplo, são levados para conhecer a associação dos catadores e os trabalhos ali realizados.

Outra referência apresentada no encontro é a coleta seletiva da própria capital paranaense, uma das experiências mais antigas no País. A partir de uma forte campanha de mídia, que utilizou o slogan “Lixo que não é lixo” e incluiu vinhetas na televisão, Curitiba conseguiu conscientizar a população sobre a importância da seleção de materiais. Hoje, 100% dos domicílios da cidade contam com a coleta seletiva.

“A coleta seletiva tem abrangência ambiental, com preservação dos recursos, social, com mobilização da comunidade e  geração de trabalho e renda para catadores, e  econômica, já que prolonga a vida útil dos aterros, movimenta a economia local e permite ganhos orçamentários no município para investimentos em outras áreas prioritárias”, comenta Nina Orlow, arquiteta e integrante das Agendas 21 locais de São Paulo e do Grupo de Trabalho Meio Ambiente da Rede Nossa São Paulo.

Criar uma agenda de inovação tecnológica para as cooperativas, apoiar o processo de formalização dos grupos de catadores, cumprir a meta de fechar os lixões até 2014 com inclusão social, reduzir os resíduos secos descartados em aterros, aumentar a reciclagem e implantar a coleta seletiva em 100% do território nacional foram outras sugestões apresentadas.

“Sabemos da diferente realidade em cada município, mas acredito que, com vontade política e participação da sociedade, é possível às cidades criarem novas formas para cuidar dos resíduos de maneira sustentável e inclusiva”, destaca Lucenir Gomes, coordenadora programática da Fundação Avina, uma das organizações parceiras do programa Cata Ação  – programa que apoiou os encontros.

Foto: Luciana Quierati


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