"Prefeitura começa operação pró-pedestre" - Folha de S.Paulo

 
 

 

Campanha começa no centro e na região da Paulista; após 40 dias, prefeitura decide se irá ampliar aplicação de multas

Kassab já havia tentado ação parecida em 2008; naquela oportunidade, aplicação de multas não foi intensificada

CRISTINA MORENO DE CASTRO
DE SÃO PAULO

REYNALDO TUROLLO JR.
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A Prefeitura de São Paulo lançou ontem um programa de conscientização dos motoristas que pretende diminuir em até 50% o número de atropelamentos na cidade.

Por um período de 30 a 40 dias, autoridades vão avaliar a absorção da campanha pelos motoristas para, depois, decidir se intensificam as multas àqueles que não dão preferência aos pedestres.

Segundo especialistas em trânsito ouvidos pela Folha, resultados de campanhas do gênero só são obtidos quando as multas são aplicadas.

A própria gestão Gilberto Kassab (PSD), por exemplo, já havia lançado um plano semelhante em 2008. Houve orientação geral de motoristas, mas as multas não vieram. A campanha fracassou.

O Código de Trânsito Brasileiro, em vigor desde 1998, diz que a infração é gravíssima. A punição é de R$ 191,54 e sete pontos na carteira.

Em 2010, 7.007 pessoas foram atropeladas -630 morreram. No mesmo ano, foram aplicadas 41.835 multas por desrespeito à faixa de pedestres, número que não chega a 1% do total de multas aplicadas na cidade.

O plano da prefeitura é criar oito Zonas de Máxima Proteção ao Pedestre em áreas críticas. Ontem, passou a funcionar a que cobre o centro e a região da Paulista.

Em cerca de dez cruzamentos, 108 agentes da CET e 77 monitores foram às ruas.

A operação pedestre vai começar a multar motoristas de forma sistemática quando técnicos avaliarem a "receptividade das ações" e a "nova cultura for incorporada", diz o secretário municipal dos Transportes, Marcelo Branco.

Segundo Branco, a primeira zona criada para receber orientações e manutenção das faixas é estratégica porque recebe, diariamente, pessoas de toda a cidade.

A campanha foi bem recebida por pedestres, que disseram temer toda a vez que têm de atravessar a rua.

A assistente administrativa Samira Calixto, 31, toma cuidado redobrado ao atravessar a rua com a filha de 4 anos, pois diz que nem assim os motoristas respeitam. "Não dá para confiar", disse.

Ontem à tarde, o aposentado Nelson Alves de Godoi, 80, foi socorrido na Paulista após ser atropelado. Ele não andava na faixa de pedestres. Godoi sofreu ferimentos leves.


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