"Frota de SP chega neste mês a 7 milhões" - O Estado de S.Paulo

 
 

 

Bruno Paes Manso e Rodrigo Brancatelli - O Estado de S.Paulo

A frota paulistana vai atingir neste mês a impressionante marca de 7 milhões de veículos. Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), que recebe informações da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), janeiro já fechou com 6.973.958 de carros, motos, caminhões e ônibus. Os números de fevereiro ainda serão divulgados, mas, seguindo a evolução mensal dos emplacamentos, o último milhão está prestes a ser alcançado.

O mais surpreendente é que, enquanto a cidade demorou oito anos para pular de 5 milhões para 6 milhões - de janeiro de 2000 a 2008 -, os 7 milhões serão batidos em apenas três anos. Com um detalhe: São Paulo tem 17 mil quilômetros de vias pavimentadas. Para-choque a para-choque, a frota atual formaria uma fila de 26 mil quilômetros de ruas e avenidas, quase duas vezes a distância de São Paulo até Cabul, no Afeganistão. Para efeito de comparação, na década de 1970 a capital registrava 965 mil veículos para número parecido de vias: 14 mil quilômetros.

"O aumento da frota registra a riqueza da cidade, mas também mostra uma situação burra, um grande erro", alerta Aílton Brasiliense, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e ex-diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). "Com mais carro e mais trânsito, há um sobrecusto na tarifa do ônibus, há mais poluição, a velocidade média cai. Aí você precisa de mais caminhões para transportar as mercadorias. Vira um círculo vicioso."

A frota paulistana ainda infla em uma velocidade seis vezes superior ao crescimento da população. São Paulo tem agora 630 veículos para cada mil habitantes. O Japão tem 395 veículos/mil moradores, enquanto os Estados Unidos têm 478 e a Itália, 539. Ao longo do último ano, a cidade recebeu mais 27 mil veículos por mês - o aumento foi de 4% em relação a 2009, mas de mais de 45% desde que o rodízio municipal foi criado, em 1997. O maior crescimento ocorreu entre carros, motos e veículos utilitários. O número de ônibus permaneceu quase estável e o de caminhões caiu 3,2%, de acordo com o Detran.

Acidentes. Um aspecto curioso é que o crescimento da frota paulistana não significou aumento de mortes no trânsito. A cidade de São Paulo vem registrando queda contínua nos últimos anos. Em 2009, ano do último levantamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), foi registrada na capital a menor taxa de morte dos últimos 22 anos: 1.382 casos, número 54%2 menor do que os 2.981 de 1987.

Na comparação com outros lugares do País, São Paulo surpreende ainda pela baixa proporção de mortes em relação à frota de carros. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes, em 2008 o Maranhão liderava o ranking brasileiro de mortes por 100 mil veículos. Foram 197 vítimas para cada 100 mil carros. O Estado de São Paulo tinha o trânsito menos violento quando comparado à frota: 42 vítimas para cada 100 mil carros.

Esses dados na capital são ainda menores. Em dezembro de 2009, São Paulo registrava 20,7 mortes para cada 100 mil veículos. O que não significa que o trânsito seja tranquilo. Por causa da queda do total de assassinatos, hoje há menos homicídios por arma de fogo do que mortes no trânsito da capital.

 

Nos últimos 11 anos, número de motos aumentou 136%

Sergio Ejzenberg - O Estado de S.Paulo

O grande aumento da frota de veículos da cidade de São Paulo se deve mais ao crescimento explosivo da frota de motocicletas do que propriamente dos automóveis. Entre 2000 e 2010, enquanto a frota de automóveis aumentou 27%, a frota de motocicletas cresceu 136%. O elevado custo da tarifa, a demora das viagens, a superlotação dos ônibus e do Metrô e o crédito fácil explicam o crescimento.

É certo que os índices de lentidão continuarão batendo recordes. Conciliar local de moradia e de trabalho, trocar prestadores de serviço distantes por mais próximos (desde o amigo barbeiro até o médico do convênio), comprar em locais próximos, e cada vez mais pela internet, tudo valerá para escapar dos congestionamentos. Muitas dessas pequenas viagens até passarão a ser feitas a pé ou até mesmo de bicicleta.

Por fim, a qualidade de vida na cidade vai piorar, além da perda de tempo em si, consumindo o tempo de dedicação à família, ao lazer e mesmo à cultura. Esse quadro trará como consequência a perda de oportunidades, com os congestionamentos empurrando empresas para outras cidades menos hostis e desestimulando novos investimentos.

ENGENHEIRO, MESTRE EM TRANSPORTES PELA USP E PERITO EM ACIDENTES 


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