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Análise do professor e urbanista Renato Tagnin aponta que os mais pobres são empurrados para as regiões mais precárias da cidade de São Paulo

“As pessoas que não conseguem morar nas áreas com boa estrutura e de menor risco têm que migrar para as regiões mais baratas da cidade. E barato significa precariedade.” Assim o professor Renato Tagnin explica o fato de São Paulo ter tantos moradores na beira de córregos, em encostas, nas áreas de mananciais e em outros locais que não deveriam abrigar ninguém. Segundo ele, estes espaços estão sendo ocupados pelo crescimento horizontal da metrópole que, em grande parte, “deve-se à especulação imobiliária e à concentração fundiária”.

O professor, que é arquiteto e urbanista, fez as afirmações durante o debate “Água, Clima e Cidade” promovido, nesta quinta-feira (8/4), pelo Grupo de Trabalho (GT) Meio Ambiente do Movimento Nossa São Paulo e o Vitae Civilis. Durante o evento, ocorrido na Câmara Municipal, Tagnin argumentou ainda que a capital paulista vive um paradoxo. “Os mais pobres, que mais necessitam de serviços e equipamentos públicos, são empurrados para regiões onde estas estruturas não existem.”

Ele avalia que a ocupação desordenada do território tem influência no clima, prejudica a qualidade da água que os paulistanos bebem e agrava os problemas causados pelas enchentes. “E o poder público não faz nada para mudar isso”, lamenta.

Um dos moradores destas áreas descritas pelo professor é Cristovão de Oliveira, integrante da Pastoral Social do Distrito do Jardim Helena, uma das regiões mais atingidas pelas enchentes em São Paulo. Oliveira, que foi um dos palestrantes do debate, relatou aos participantes que os habitantes dos bairros daquela área continuam sofrendo com os constantes alagamentos e o cheiro de esgoto. “A gente nunca vai resolver esse problema, se não houver um projeto de habitação”, considerou.

Outro participante da mesa, o secretário adjunto de Abastecimento e Saneamento do Estado de São Paulo, Ricardo Toledo, informou ao morador da região do Jardim Helena que o Parque Linear da Várzea do Tietê – projeto que será implantado naquela área – prevê sim a construção de moradia para as pessoas deixarem o local. “O projeto irá consumir nos próximos seis, sete anos cerca de R$ 1,7 bilhão e metade destes recursos é para desapropriação e habitação.”

Diante da afirmação, Cristovão solicitou então que o poder público convide os moradores para participar da discussão do projeto. “Com R$ 800 milhões dá para todo mundo [da região] ter moradia.”

O quarto debatedor, o professor Augusto José Pereira Filho, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, apresentou estudos que demonstram a elevação da temperatura da cidade, em 2,1º C, entre a década de 1930 até 2005. “São Paulo está mais quente e mais seco”, pontuou. Ele explicou que as mudanças de temperatura e de clima na metrópole paulistana são mais acentuadas do que as alterações percebidas no restante do planeta.

Ao final do encontro, o mediador Aron Belinky, coordenador Executivo da Campanha TicTacTicTac Brasil, informou que o debate sobre o tema terá continuidade. “Vamos informar a todos os próximos eventos”, avisou.  Na opinião de Belinky, é preciso que as pessoas reflitam sobre o que é possível fazer para reverter o aquecimento e suas conseqüências para o clima e as enchentes. “Se a gente não fizer nada, seja pelos problemas locais ou globais, a situação só irá se agravar.”

REPORTAGEM: AIRTON GOES [email protected]

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