"Governo e empresas fecham cerco contra sacolas plásticas" - R7

 
 

 

A bola da vez entre os vilões ambientais é a sacola plástica, aquela distribuída gratuitamente em supermercados, farmácias, padarias e outros estabelecimentos comerciais. Despejada no meio ambiente, ela pode entupir bueiros, poluir rios e mares, e matar animais, principalmente os marinhos e as aves.
A preocupação com o seu uso descontrolado fez com que a Câmara dos Vereadores de São Paulo votasse no último dia 4 um projeto de lei que pretende substituir o uso de sacos plásticos por sacolas retornáveis. Para ser colocada em prática, a lei deverá passar ainda por uma segunda votação e depois ser sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab.
 
A rede de supermercado Carrefour adiantou-se à decisão de Kassab e nesta segunda-feira (15), quando é comemorado o Dia Mundial do Consumidor, anunciará, na presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a eliminação do uso das sacolas plásticas em sua unidade no município de Piracicaba (SP).
 
Como alternativa, o supermercado oferecerá gratuitamente, por 15 dias, sacolas retornáveis, além de caixas de papelão, sacolas 100% biodegradáveis – que desaparecem do meio ambiente em 18 semanas, ante os 300 anos em média que uma sacola comum leva para se decompor.
 
Já a rede Pão de Açúcar, que inclui os supermercados Extra, CompreBem e Assaí, aposta no consumo consciente de seus clientes. Não pretende abolir as sacolinhas plásticas, mas foi pioneira em oferece as ecobags, sacolas retornáveis que já viraram hit fashion entre estilistas.
 

Além disso, a rede disponibiliza caixas de papelão e incentiva o uso responsável das embalagens plásticas. Em 2009, a rede alcançou 30% de redução no uso das sacolas plásticas pelos clientes – o que corresponde a uma economia de 91 milhões de sacolinhas.

Todas essas ações vão ao encontro da campanha Saco é um Saco, lançada em junho de 2009 pelo Ministério do Meio Ambiente com o objetivo de mostrar ao consumidor que é possível usar as sacolas plásticas de maneira a não agredir tanto o planeta. Para o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, “o debate sobre sacolas plásticas foi o primeiro sinal de uma conscientização internacional acerca do impacto do consumo no ambiente”.

A principal orientação do ministério, e de outras instituições mundiais, é que o consumidor, caso não consiga usar as sacolas retornáveis, pegue somente a quantidade necessária de sacolinhas plásticas para levar suas compras e, depois, as reutilize como sacos de lixo nos cestos da pia ou do banheiro.

De acordo com Fernanda Altoé Daltro, especialista em consumo consciente da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), e coordenadora da campanha Saco é um Saco, “anualmente, são produzidas no mundo entre 500 milhões e um trilhão de sacolinhas”. Só no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), são 12 bilhões por ano.

Além da preocupação com o seu descarte, o uso das sacolas plásticas também é desaconselhável pelo seu alto custo de produção. Elas são feitas à base de petróleo e gás natural, e consumem muita água e energia elétrica durante sua fabricação.

E como na reciclagem elas não podem voltar como novas sacolas, para evitar riscos de contaminação – a Anvisa proíbe sacolas plásticas recicladas para embalar alimentos –, não são viáveis economicamente nesse processo. A maioria acaba descartada e vai parar nos lixões. Lá, elas aumentam as emissões de gases de efeito estufa.
 


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