Prefeitura desativa ciclofaixa de lazer na periferia e faz nova em área nobre

Ciclistas lamentam o fim da estrutura localizada no extremo da zona sul

Por Alex Gomes

A ciclofaixa de lazer da Guarapiranga, existente desde 2012 na periferia da zona sul da capital, acaba de ser extinta pela prefeitura. Ela funcionava todos os domingos e feriados nacionais, entre 7h e 16h, conectando a represa de Guarapiranga, o Autódromo de Interlagos e a Ciclovia do Rio Pinheiros. A ciclofaixa contava com 11 km de extensão.

Quem pedala pela região ficou surpreso e lamenta a decisão. “A ciclofaixa dava movimento e sensação de segurança, pois antes as ruas ali eram desertas”, diz Willian Mota, 32 anos. Ele afirma que a estrutura também servia de incentivo para ciclistas iniciantes. “Era uma ligação importante aos finais de semana, pois muitas famílias pedalavam entre o autódromo e a represa de Guarapiranga e os carros respeitavam. Agora, quem está começando não vai mais ter nenhum incentivo.”

O técnico de refrigeração Nelson Rodrigues, 60 anos, também era frequentador assíduo: “Eu e meu cunhado usávamos como treino de subidas aos finais de semana e eu passava por ela quando tinha de trabalhar aos domingos. Retirar essa ciclofaixa é uma decisão triste.”

A decisão de retirar a ciclofaixa da Guarapiranga ocorre ao mesmo tempo em que a prefeitura anuncia uma nova ciclofaixa de lazer em área nobre da capital. A estrutura percorrerá as avenidas Brasil, Henrique Schaumann e Paulo VI, na zona oeste e será inaugurada no dia 7 de setembro pelo prefeito João Doria.

Em nota a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes justifica a desativação na Guarapiranga por haver baixa utilização de usuários. Entretanto, não apresentou números.

A secretaria também afirma que há alternativas aos ciclistas da região. Conforme nota: “existe uma ciclovia fixa que poderá suprir as necessidades dos poucos ciclistas e pedestres habituais da área”.

No entanto, não há opções a um dos trechos compreendidos pela extinta ciclofaixa – uma extensão de 750 metros entre as avenidas Interlagos e Jangadeiro. Trata-se de uma vida arterial considerada arriscada por quem pedala na região.

“Esse trecho da Av. Interlagos tinha que ter radar. É muito perigoso para quem pedala e não tem outra opção para o ciclista”, diz o engenheiro Alexandre Liodoro, de 39 anos.

Mudança nas ciclovias

A prefeitura promete também apresentar ainda este mês ao Ministério Público um plano de revisão da malha cicloviária. A ideia é trocar ciclovias por ciclorrotas, áreas em que os ciclistas dividem o espaço com automóveis.

Matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo.