Campanha busca conscientizar eleitor a renovar Congresso

O manifesto traz que o Congresso atual é acusado de proteger um governo que afunda em corrupção

Géssica Brandino - Folha de S. Paulo

Somada a iniciativas que buscam renovar o parlamento um grupo de organizações lançou a campanha “Um Novo Congresso”. O foco da iniciativa é conscientizar o eleitor de que a mudança é possível por meio do voto, que deve ser destinado aos candidatos que apoiem princípios como a redução da desigualdade, a não violência e o enfrentamento da corrupção e representem a diversidade existente no país. 

No manifesto da campanha, disponível na página oficial (https://www.umnovocongresso.org.br/), o Congresso atual é acusado de proteger “um governo que afunda em corrupção”, de estar “dominado por bancadas que defendem outros interesses” e ter “baixo nível ético e político”. A mesma carta faz a defesa de um país “justo, igualitário, democrático e respeitoso dos direitos humanos”.

O coordenador geral da Rede Nossa São Paulo Jorge Abrahão diz que a campanha tentará mostrar que eleger um senador ou deputado é tão importante quanto escolher o presidente da República. “Foi o Congresso o responsável pelas grandes mudanças no país”, diz, citando como exemplo o impeachment de Dilma Rousseff e o arquivamento das denúncias contra Michel Temer

A iniciativa já soma 30 organizações —como Rede Nossa São Paulo, Instituto Ethos, Oxfam Brasil, Atletas pelo Brasil— de oito estados do país, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pará e Paraná. Os ex-atletas Raí de Oliveira, Ana Moser, Magic Paula e Lars Grael, além de Frei Betto já gravaram depoimentos de apoio à campanha.

Abrahão conta que as organizações perceberam o surgimento de diversos grupos de renovação política, mas focados na oferta dos candidatos, sem trabalhar o voto. “É o eleitor que de alguma maneira tem a capacidade para a transformação”, afirma.

A campanha, segundo ele, não apoiará partidos e candidatos específicos ou fará direcionamento sobre temas como a reforma da Previdência, mas vai sugerir diretrizes para o eleitor considerar ao pesquisar as agendas defendidas pelo candidato.

Não votar em quem defende a violência, mas em mulheres e em quem defenda a redução da desigualdade independentemente da sigla, exemplifica. “Um congresso como representação das diferentes forças é o que nós desejamos ressaltar”, declara Abrahão.

A expectativa, segundo ele, é continuar a mobilização após as eleições deste ano, preparando o eleitor para o voto no Legislativo municipal.

“Fortalecer a democracia é uma coisa que não tem fim. A gente tem que ter um olhar para quem está decidindo nesses espaços. Para isso temos que votar mais conscientes”, afirma.

Matéria publicada na Folha de S. Paulo