Ato em defesa do Parque Augusta apresenta carta aberta a construtoras

Rede Nossa São Paulo, Frente Parlamentar de Sustentabilidade e SAMORCC pedem às empresa Cyrela e Setin que doem terreno para a preservação da área verde.

Por Luana Copini, da Rede Nossa São Paulo

Nesta segunda-feira (9/3), foi realizado na Câmara Municipal de São Paulo um ato em defesa do Parque Augusta. No evento, representantes da Frente Parlamentar Pela Sustentabilidade, Rede Nossa São Paulo e Sociedade Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro Cerqueira César (SAMORCC) apresentaram uma carta aberta, solicitando às empresas Cyrela e Setin que doem o terreno para a cidade e, assim, preservem aquela importante área verde para a comunidade.

Oded Grajew, coordenador geral da Rede Nossa São Paulo, explicou que a doação é culturalmente disseminada em outros países, além de uma ação generosa por parte das empresas. A atitude, segundo Grajew, seria pioneira no diálogo entre o poder público, o setor privado e a sociedade civil, colocando o nome das construtoras na história da cidade. “Em outros países é comum as empresas doarem parques, hospitais, creches e outros serviços para a comunidade. O setor imobiliário já ganha tanto e isto seria uma forma de devolver à comunidade uma parte. Está mais do que na hora do Ministério Público, o poder Executivo e a sociedade civil dialogarem”, afirmou. Ele destacou que a carta aberta foi uma iniciativa coletiva.

“Precisamos de uma aproximação das partes para um diálogo, com mais transparência, buscando encontrar uma solução embasada na construção coletiva. Viemos de uma cultura equivocada com relação ao meio ambiente e, neste caso, a solução foi apoiada em interesses privados, sem ouvir o interesse público”, argumentou o vereador Ricardo Young, ressaltando que a cidadania empresarial deveria seguir os princípios da responsabilidade social. “É hora do setor empresarial dar a contrapartida à sociedade”, avaliou.

Wanderley Meira do Nascimento, secretário do Verde e Meio Ambiente da cidade de São Paulo, ressaltou a importância da discussão sobre os rumos da cidade. “Temos que negociar e discutir, que cidade nós queremos?” Ele se comprometeu a rever as autorizações emitidas de implantação dos tapumes, que foram fixados rente aos muros do Parque Augusta pelas construtoras.

Em janeiro deste ano, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) aprovou o projeto para a construção de prédios no terreno do Parque Augusta - no centro de São Paulo -, que pertence às empresas Setin e Cyrela. O terreno é alvo de polêmica, pois os moradores da região e movimentos em defesa do Parque Augusta e do meio ambiente querem que a área seja preservada transformada em parque aberto à população.

Respeitando o direito de compra e venda, o promotor do Ministério Público Federal de São Paulo, Silvio Marques, defendeu a negociação da doação de maneira onerosa. “Toda vez que houver restrição ou danos, o meio ambiente é que prevalece. Devemos ter uma negociação honesta, pois as empresas compraram o terreno. Não devemos exigir apenas a desapropriação, mas também que transformem o parque em espaço público, sem desrespeitar os direitos das partes.”

O vereador José Police Neto, defendeu a necessidade de rever aprovações feitas pelo Conpresp. “Primeiro o que se deve fazer é derrubar a deliberação [que aprovou o projeto para a construção de prédios no terreno do Parque Augusta]. Depois, precisamos rever os posicionamentos tomados com relação à especulação imobiliária no centro da cidade.”

Também participaram da atividade Maurício Broinizi, coordenador executivo da Rede Nossa São Paulo, Silvio Marques, promotor de justiça do Ministério Público Federal de São Paulo, Danilo Pitarello Rodrigues, da Secretaria de Relações Governamentais da Prefeitura de São Paulo.

O ato foi presidido pelo vereador Gilberto Natalini, da Frente Parlamentar Pela Sustentabilidade, além de representantes da SAMORCC, Organismo Parque Augusta (OPA) e outros movimentos que atuam em defesa do Parque. As empresas Cyrela e Setin foram convidadas a participar, mas não enviaram representantes.

A carta aberta será entregue às empresas Cyrela e Setin.

Para ter acesso ao conteúdo do documento, clique aqui.

Confira nos links abaixo as entrevistas de Oded Grajew e Maurício Broinizi, da Rede Nossa São Paulo, à Rádio CBN:

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